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O Princípio da Metamorfose

Este sim é uma busca exclusiva da Arquitetura Antroposófica. Rudolf Steiner, quando jovem, pesquisou durante vários anos os trabalhos científicos de Goethe, principalmente aqueles que tratam da metamorfose das plantas. Goethe observou no vegetal, independente da espécie e família, um princípio formal próprio de cada planta. Ele observou que o contorno, a forma da folha da planta dá origem à forma das pétalas da flor, à forma da semente, à forma do broto e assim por diante. A seqüência de formas entre as diferentes fases de crescimento do vegetal são características exclusivas daquela planta. Baseado nestes estudos, Rudolf Steiner chegou à idéia do princípio da metamorfose da forma. Em suas obras arquitetônicas, podemos distinguir a metamorfose da expressão formal do detalhe e dos elementos esculturais, a metamorfose dos espaços na planta baixa e a metamorfose dos volumes no contexto urbanístico. A seqüência das formas dos elementos arquitetônicos parte de um princípio formal único, evidenciando um relacionamento mútuo entre parte e todo. Assim, podemos observar no primeiro Goetheanum parentescos entre a formas que compõe as janelas e portas e estas, por sua vez, têm semelhanças com elementos da cobertura e do telhado, assegurando através da transformação em seqüência a familiaridade entre os detalhes.
Na Arquitetura Antroposófica, vinculada à metamorfose da forma, podemos ainda constatar um partido formal que expressa nos detalhes, a ação das forças em conseqüência das cargas do material. Existe neste contexto uma inversão quanto a expressão artística se comparada com a arquitetura moderna contemporânea. Toda obra arquitetônica está sujeita a cargas resultantes do peso próprio do material, da ação de vento e chuva, do deslocamento de pessoas, entre outras. Em elementos estruturais como pilares e vigas, por exemplo, a arquitetura moderna utiliza-se de materiais específicos de acordo com o tipo de força empregada no sistema. Na predominância de forças de tração o material aplicado é o aço ou o ferro, com uma área pequena de sustentação. Em situações onde há a predominância de forças de pressão, o material aplicado é a pedra ou o concreto, com áreas grandes de sustentação. Na Arquitetura Antroposófica, no entanto, busca-se expressar o que realmente ocorre dentro do material quando sujeito à forças externas. Onde na estrutura atuam forças de tração, com a tendência de separação no material, busca-se uma expressão de união com o acúmulo de matéria. Em conseqüência, onde na estrutura atuam forças de pressão o material é pressionado, mas o esforço nele é de separação. Neste caso a expressão é esbelta, é refinada.



 

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