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ARQUITETURA ORGÂNICA


Muitos arquitetos buscam a expressão orgânica na arquitetura. Este conceito está relacionado ao termo organismo. Chamamos organismo tudo que tem vida, desde os seres mais primitivos unicelulares, através dos vegetais e animais até a complexidade do ser humano. O que é um organismo? Quando podemos denominar algo como sendo um organismo? Quando possui vida, quando está em processo, ou seja, cresce e se mexe por força própria. Tanto o crescer como o mexer podem ser enquadrados em um único conceito - movimento. A Arquitetura Orgânica procura sua expressão nesta característica da vida - o movimento. Existe porem um relacionamento mais íntimo entre a Arquitetura Orgânica e a vida. Como se caracterizam as formas de um organismo? Se observarmos um cristal de rocha por exemplo, uma composição de planos, arestas e superfícies lapidadas, podemos perceber nítidas diferenças entre suas formas, se comparadas com um vegetal. Em vez de planos retos o vegetal mostra uma composição de convexidades e concavidades unidas e emendadas por curvas. Estas formas são inerentes à vida. Mas o que é vida? Um seixo de rio também possui formas redondas. Estas são resultantes do desgaste sofrido no percurso no leito do rio e da erosão contínua da água. É uma ação externa na superfície da pedra. No organismo vivo a ação do processo que origina as formas que o caracterizam é interna. Um processo, seja ele externo ou interno, sempre se manifesta no tempo. O tempo é um fator fundamental na formação do ser vivo. Mas o ser vivo também precisa da matéria para sua estruturação. O que é a matéria? Em sua essência ela é superfície. A composição e configuração de suas superfícies determinam um espaço. A matéria é inerente ao espaço. Tempo e espaço formam o alicerce para a manifestação da vida. Já vimos anteriormente, no exemplo do seixo de rio, que a incidência do tempo na matéria, no espaço, é externa, de fora para dentro. Invertendo este processo de ação, a incidência do tempo no espaço de dentro para fora, leva-nos ao conceito de vida. O entrelaçar de tempo e espaço de dentro para fora tem como resultado a vida. A tentativa do arquiteto que se identifica com a Arquitetura Orgânica é buscar na sua forma de expressão a integração de tempo e espaço. O resultado é o movimento, é o dinamismo na composição dos espaços. Ao usuário esta arquitetura propicia o bem estar e questões relacionadas à vida, apoiando e incentivando os processos vitais

De um outro ponto de vista, ainda temos a questão estrutural do organismo. No organismo vivo podemos distinguir características estruturais que não encontramos no reino mineral. Podemos subdividir o vegetal em membros distintos um do outro: a raiz, o caule e a folha. A raiz, uma das extremidades do vegetal, prende-se a terra apresentando características formais diferentes da folha, voltada para cima, direcionada à luz. Algo semelhante encontramos no reino animal com a seqüência formal de cabeça, tronco e membros.

Esta diferenciação estrutural do organismo vivo não se manifesta no reino mineral. A Arquitetura Orgânica, observada em detalhes, apresenta-se com elementos de características formais distintas como frente, meio e fundo. De outro ângulo distinguem-se as lateralidades ou a expressão formal da base da obra em contraste com a sua cobertura. Resumindo poderíamos concluir: a questão ligada ao fenômeno vida e a estruturação que caracteriza um organismo vivo, definem este primeiro tema da Arquitetura Orgânica.



 

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