ARQUITETURA ANTROPOSÓFICA
Evidenciou-se
durante o congresso em Dornach, Suiça, em meados de
agosto de 2.000, com o tema, Arquitetura da Transformação
(Architektur der Wandlung) que o movimento da arquitetura
orgânica persiste desde o início do século
XX na busca de seu crescimento e desenvolvimento. Tendo iniciado
com obras dos arquitetos F.L. Wright, Antoni Gaudi, Alvar
Aalto, Rudolf Steiner e outros, a corrente vem ganhando adeptos
que até a atualidade buscam aprofundar os conceitos
da proposta da arquitetura em questão. Considerando
a necessidade do desenvolvimento da arquitetura em geral e
considerando também a responsabilidade, no sentido
mais amplo da palavra, dos profissionais que integram equipes
que buscam novas soluções para cidades, espaços
públicos e privados, podemos levantar questões
tais como:
-
a arquitetura poderia resgatar o seu papel quanto à
sua contribuição para uma cultura humanizada?
-
como a arquitetura poderia contribuir para o cuidado do
meio-ambiente?
-
como a arquitetura poderia contribuir para a harmonização
das relações humanas e a relação
Homem e meio-ambiente?
-
qual é o papel da arquitetura no desenvolvimento
da alma humana?
- qual
é o papel das artes no dia a dia das multidões
em cidades, dos funcionários nas indústrias
e das famílias no contexto de suas residências?
Iniciada
por Rudolf Steiner no início deste século XX,
Arquitetura Antroposófica tem um parentesco com o termo
Arquitetura Orgânica, um conceito hoje utilizado no
mundo todo. Rudolf Steiner atuou como arquiteto em uma época
em que artistas plásticos, principalmente na Europa
e nos Estados Unidos, buscavam uma expressão nova para
suas produções. Inicialmente, nos anos 20 deste
século, com a obra do primeiro Goetheanum em Dornach,
ele desenvolveu um conceito arquitetônico amplo, expressando
a organicidade do volume do edifício, e obtendo desta
forma, uma linguagem artística incomum para a arquitetura
da época. Se comparada com o grande leque que atualmente
classifica a Arquitetura Orgânica, quais seriam as características
desta proposta antroposófica?
1- Arquitetura Orgânica
2- Integração das artes plásticas
3- O princípio da metamorfose
4- A expressão arquitetônica
do espaço
1-Arquitetura
Orgânica
Muitos arquitetos buscam a expressão orgânica
na arquitetura. Este conceito está relacionado ao termo
organismo. Chamamos organismo tudo que tem vida, desde os
seres mais primitivos unicelulares, através dos vegetais
e animais até a complexidade do ser humano. O que é
um organismo? Quando podemos denominar algo como sendo um
organismo? Quando possui vida, quando está em processo,
ou seja, cresce e se mexe por força própria.
Tanto o crescer como o mexer, podem ser enquadrados em um
único conceito – movimento. A Arquitetura Orgânica
procura sua expressão nesta característica da
vida – o movimento. Existe porem um relacionamento mais
íntimo entre a Arquitetura Orgânica e a vida.
Como se caracterizam as formas de um organismo? Se observarmos
um cristal de rocha, uma composição de planos,
arestas e superfícies lapidadas, podemos perceber nítidas
diferenças entre suas formas, se comparadas com um
vegetal. Em vez de planos retos o vegetal mostra uma composição
de convexidades e concavidades unidas e emendadas por curvas.
Estas formas são inerentes à vida. Mas o que
é vida? Um seixo de rio também possui formas
redondas. Estas são resultantes do desgaste sofrido
no percurso no leito do rio e da erosão contínua
da água. É uma ação externa na
superfície da pedra. No organismo vivo a ação
do processo que origina as formas que o caracterizam é
interna. Um processo seja ele externo ou interno, sempre se
manifesta no tempo. O tempo é um fator fundamental
na formação do ser vivo. Mas o ser vivo também
precisa da matéria para sua estruturação.
O que é a matéria? Em sua essência ela
é superfície. A composição e configuração
de suas superfícies determinam um espaço. A
matéria é inerente ao espaço. Tempo e
espaço formam o alicerce para a manifestação
da vida. Já vimos anteriormente, no exemplo do seixo
de rio, que a incidência do tempo na matéria,
no espaço, é externa, de fora para dentro. Invertendo
este processo de ação, a incidência do
tempo no espaço de dentro para fora, leva-nos ao conceito
de vida. O entrelaçar de tempo e espaço de dentro
para fora tem como resultado a vida. A tentativa do arquiteto
que se identifica com a Arquitetura Orgânica é
buscar na sua forma de expressão a integração
de tempo e espaço. O resultado é o movimento,
é o dinamismo na composição dos espaços.
Ao usuário esta arquitetura propicia o bem estar e
questões relacionadas à vida, apoiando e incentivando
os processos vitais.De um outro ponto de vista, ainda temos
a questão estrutural do organismo. No organismo vivo
podemos distinguir características estruturais que
não encontramos no reino mineral. Podemos subdividir
o vegetal em membros distintos um do outro: a raiz, o caule
e a folha. A raiz, uma das extremidades do vegetal, prende-se
a terra apresentando características formais diferentes
da folha, voltada para cima, direcionada à luz. Algo
semelhante se manifesta no reino animal com a seqüência
formal de cabeça, tronco e membros. Esta diferenciação
estrutural do organismo vivo não se manifesta no reino
mineral. A Arquitetura Orgânica, observada em detalhes,
apresenta-se com elementos de características formais
distintas como frente, meio e fundo. De outro ângulo
distinguem-se as lateralidades ou a expressão formal
da base da obra em contraste com a sua cobertura. Resumindo
poderíamos concluir: a questão ligada ao fenômeno
vida e a estruturação que caracteriza um organismo
vivo definem este primeiro tema da Arquitetura Orgânica.
2-Integração
das Artes Plásticas
No início deste século a integração
das artes plásticas era um tema que preocupava muitos
artistas, como pintores, escultores e arquitetos. Rudolf Steiner
em sua grande obra, o primeiro Goetheanum, fez do edifício
uma obra de arte total. Arquitetos, escultores e pintores
participaram no desenvolvimento do projeto e na execução
desta obra: um auditório e palco, destinado às
atividades da Sociedade Antroposófica em Dornach na
Suíça. Rudolf Steiner enfatizou em várias
apresentações de seus projetos e palestras que
a arquitetura é a “mãe” de todas
as artes, pois sem ela jamais teríamos condições
para abrigar a arte da pintura ou objetos de escultura, e
tão pouco, teríamos o espaço necessário
para a manifestação da arte da música
e dança. Nestas condições um partido
projetual pode ser elaborado utilizando-se da rica linguagem
que cada segmento da arte consagrou separadamente no decorrer
dos tempos. Com a integração das artes a obra
adquire um brilho especial quanto a sua expressão.
Rudolf Steiner falou neste contexto da obra dialógica,
que se comunica com o usuário.
3-O princípio da
metamorfose
Este sim é uma busca exclusiva da Arquitetura Antroposófica.
Rudolf Steiner, quando jovem, pesquisou durante vários
anos os trabalhos científicos de Goethe, principalmente
aqueles que tratam da metamorfose das plantas. Goethe observou
no vegetal, independente da espécie e família,
um princípio formal próprio de cada planta.
Ele observou que o contorno, a forma da folha da planta dá
origem à forma das pétalas da flor, à
forma da semente, à forma do broto e assim por diante.
A seqüência de formas entre as diferentes fases
de crescimento do vegetal é características
exclusivas daquela planta. Baseado nestes estudos, Rudolf
Steiner chegou à idéia do princípio da
metamorfose da forma. Em suas obras arquitetônicas,
podemos distinguir a metamorfose da expressão formal
do detalhe e dos elementos esculturais, a metamorfose dos
espaços na planta baixa e a metamorfose dos volumes
no contexto urbanístico. A seqüência das
formas dos elementos arquitetônicos, parte de um princípio
formal único, evidenciando um relacionamento mútuo
entre parte e todo. Assim, podemos observar no primeiro Goetheanum
parentescos entre, a formas que compõe as janelas e
portas, e estas por sua vez, têm semelhanças
com elementos da cobertura e do telhado, assegurando através
da transformação em seqüência a familiaridade
entre os detalhes.
Na questão da Arquitetura Antroposófica vinculada
à metamorfose da forma, pode-se ainda constatar, um
partido formal que expressa nos detalhes, a ação
das forças em conseqüência das cargas do
material. Existe neste contexto uma inversão quanto
à expressão artística se comparada com
a arquitetura moderna contemporânea. Toda obra arquitetônica
está sujeita a cargas resultantes do peso próprio
do material, da ação de vento e chuva, do deslocamento
de pessoas, entre outras. Em elementos estruturais como pilares
e vigas, por exemplo, a arquitetura moderna utiliza-se de
materiais específicos de acordo com o tipo de força
empregada no sistema. Na predominância de forças
de tração o material aplicado é o aço
ou o ferro, com uma área pequena de sustentação.
Em situações onde há a predominância
de forças de pressão, o material aplicado é
a pedra ou o concreto, com áreas grandes de sustentação.
Na Arquitetura Antroposófica, no entanto, busca-se
expressar o que realmente ocorre dentro do material quando
sujeito às forças externas. Onde na estrutura
atuam forças de tração, com a tendência
de separação no material, busca-se uma expressão
de união com o acúmulo de matéria. Em
conseqüência, onde na estrutura atuam forças
de pressão o material é pressionado, mas o esforço
nele é de separação. Neste caso a expressão
é esbelta, é refinada.
4-A expressão arquitetônica
do espaço
Este tema refere-se à busca da compreensão,
cada vez mais aprimorada, da atuação da expressão
arquitetônica na alma do ser humano. É uma característica
quase que exclusiva da Arquitetura Antroposófica. A
questão da relação entre a qualidade
do espaço e sua função, ou seja, a atividade
nela exercida foi amplamente debatida nos primórdios
da arte moderna. Atualmente, os arquitetos em geral reduziram
a função do espaço ao tamanho necessário,
à iluminação e ventilação
necessárias, enfim exclusivamente aos elementos mensuráveis,
deixando de lado a qualidade intrínseca do ambiente
arquitetônico. Não se distingue mais a diferença
entre uma sala de aula de uma escola do primeiro grau e um
escritório de um prédio comercial. Ambos os
espaços têm sua composição baseada
no retângulo ou no quadrado, com paredes paralelas e
ângulos retos. Na Arquitetura Antroposófica podemos
observar a busca de uma relação da qualidade
do ambiente com a atividade desempenhada no referido espaço.
Esta preocupação evidencia a consciência
da qualidade do espaço, pois sabe-se que, independente
da forma, seja ela ortogonal ou orgânica, toda composição
exerce uma influência no usuário. Mas como podemos
conhecer e nos aprofundarmos quanto à influência
do espaço na alma humana? Rudolf Steiner tomou como
partido para o auditório do segundo Goetheanum o trapézio
como forma de espaço em planta baixa. As paredes laterais
divergem em direção ao palco e convergem no
sentido contrário. Até então a forma
destes espaços era retangular ou no caso do primeiro
Goetheanum, circular. A forma do auditório do segundo
Goetheanum está intimamente ligada ao conteúdo
antroposófico. Rudolf Steiner pouco falou desta forma
trapezoidal, mencionando apenas que o conceito de liberdade
expresso na dupla cúpula do primeiro Goetheanum está
intrínseco na forma do auditório novo. Pesquisas
posteriores mostram que não só a liberdade,
mas também questões relacionadas à individualidade
do ser humano estão presentes na forma trapezoidal.
Se imaginarmos o interior do espaço, direcionado ao
palco, com as paredes laterais divergindo, afastando-se uma
da outra, poderemos sentir a liberdade que este movimento
lateral propicia. Esta abertura em direção ao
palco não coloca o espetáculo realizado como
imposição. As paredes laterais divergem e abrangem
fora do ambiente um espaço que aumenta e cresce quanto
mais nos distanciamos do ponto de observação.
Este gesto abrange o mundo, e dentro do espaço oferece
ao espectador a liberdade para a concentração
ou a dispersão. Em conseqüência, a partir
do palco, o palestrante ou o ator estará situado num
espaço cujas paredes laterais convergem e fora do ambiente
afluem a um único ponto. O ponto é uma unidade
distinta e, representando o indiviso, diz respeito a uma só
pessoa, a individualidade. Do palco, voltada à platéia
podemos sentir o apelo no gesto das paredes laterais para
alcançar, para atender a individualidade presente no
auditório. O espectador, voltado ao palco, tem como
pano de fundo as paredes convergentes. Este gesto faz reconhecer
as qualidades peculiares e genuínas da pessoa, apelam
ao indiviso, fortalecendo a atitude e a postura da individualidade
que está voltada ao espaço que abrange o mundo.
Podemos concluir que o trapézio é um espaço
que coloca a pessoa entre o indiviso e o abrangente. Ele apóia
o fortalecimento e a consciência da individualidade,
apela ao autoconhecimento, mas sempre resguardando plena liberdade.
A arquitetura antroposófica,
no contexto histórico
Rudolf Steiner:
“É uma característica da alma humana
expandir-se, alastrar-se, desabrochar-se em todas as direções.
A maneira de se desabrochar, a maneira como ela deseja alastrar
o seu ser no cosmo tem como resultado a forma arquitetônica”.
Historicamente sempre existiu um relacionamento entre as artes
plásticas com as fases do desenvolvimento da alma humana.
Desse relacionamento três momentos se destacam na História.
Na Antiga Grécia, época da construção
dos templos, deparamo-nos com um pensar imaginativo, um pensar
mitológico. Uma observação de um fenômeno
natural desencadeava imagens na alma. A matéria era
vivenciada como uma ilusão; a imagem, resultado de
uma observação, era vivenciada sendo a realidade.
A alma humana era repleta de imagens, sentia-se parte do mundo
das idéias. Nesta época foram construídos
os templos gregos com proporções harmônicas,
simplicidade geométrica e composições
arquitetônicas exclusivamente ortogonais. As paredes
que os compõe são paralelas, os ângulos
sempre retos. As colunas enfileiradas são paralelas
entre si. Dos espaços maiores para os menores podemos
observar uma composição de retângulos
e quadrados. Eram obras ricas, não só quanto
sua arquitetura e proporções de elementos, mas
também quanto aos detalhes esculturais e pinturas de
afrescos. O povo, no entanto, não tinha acesso ao templo,
era um espaço exclusivo para os sacerdotes que dentro
dele colocavam-se em condição de fazer contato
com o mundo espiritual. Este espaço de pureza arquitetônica
quase cristalina fez desabrochar, incentivou e apoiou um processo
na alma humana que levou o Homem a um pensar cada vez mais
lógico. A matéria toma o lugar da imagem. Ela
é realidade; a imagem é ilusão. É
o primórdio da Lógica, da Filosofia e da Ciência
com Platão e Aristóteles. O templo tinha a função
de apoiar este processo de materialização no
pensar que desencadeou, mais tarde, o pensar intelectualizado
e racional. A alma abriu-se para a realidade terrena e com
isto separa-se de sua origem espiritual.
Passados muitos séculos, após o mistério
do Gólgota em torno do ano 900 ao 1.200, nos vemos
frente à época da construção das
grandes catedrais. Primeiro as catedrais romanas, posteriormente
as catedrais góticas. A alma humana evoluiu no sentido
de separação do mundo espiritual. A partir daqui
ela relaciona-se separadamente com os dois mundos. A natureza
é o acesso ao mundo material e a religião é
o vínculo com o mundo espiritual. Dá-se a necessidade
de se construir a ‘Casa de Deus’ – as catedrais
e é especificamente dentro destes espaços que
o povo evoca o mundo espiritual. Quais eram as características
arquitetônicas desta época? A planta baixa da
catedral é de geometria ortogonal, com elementos em
forma de círculos no espaço destinado ao altar.
A nave da catedral, espaço para a permanência
do povo, tem paredes paralelas, marcantes são as proporções
no sentido vertical. Das dimensões de altura resulta
a monumentalidade, propiciando a devoção ao
mundo espiritual. A catedral marca a separação
definitiva entre espírito e matéria. Dentro
da catedral, a devoção; fora dela o trabalho
na terra, a matéria. O pensar conquista a ciência
e torna-se cada vez mais intelectual.
O próximo passo nos leva à atualidade, o pensar
humano conquistou a lógica e com ela o pensar racional,
e materializado, com controle praticamente absoluto das ciências
naturais, resultando na separação, cada vez
mais evidente, com os conteúdos relacionados ao mundo
espiritual. A religião hoje, com um significado superficial,
tornou-se um resíduo de algo que teve seu ápice
na época das construções das catedrais.
Restringe-se, na maioria das situações, como
um veículo que pode proporcionar saúde, alegria
e riqueza. Sua devoção decaiu, limitando-se
a busca de satisfações materiais.
Hoje porem uma pergunta se torna cada vez mais premente: Como
podemos conseguir acesso ao conteúdo que está
por de trás da matéria, da forma, da idéia,
da vida, sem perder a conquista do pensar lógico e
racional? O vínculo com o mundo espiritual não
está perdido. Neste ponto é importante reconhecermos
a grande conquista da alma humana no decorrer do tempo: o
fortalecimento da individualidade. Quando na antiga Grécia
com o pensar mitológico predominava algo que poderíamos
chamar de consciência grupal, iniciava-se juntamente
com a lógica no pensar a consciência presente
do ente único. Na época da construção
das catedrais esta consciência individual já
tinha sido conquistada, mas o ato religioso, na devoção
ao mundo espiritual acontecia na união das preces,
com o povo unido na catedral. Hoje, estamos sós, somos
indivíduos e cabe a cada um a própria decisão
de como se relacionar com o mundo espiritual. Uma decisão
individual importa que deva ser tomada em liberdade. Esta
fase, no desenvolvimento da alma humana, nos leva à
construção do espaço em forma de trapézio
que teve sua realização inédita com o
projeto de Rudolf Steiner para o segundo Goetheanum em Dornach.
Na época da Antiga Grécia a alma humana precisou
de um espaço que fortalecesse as tendências abstratas
e cristalizantes no pensar. O Templo Grego despertou na alma
o pensar lógico. A Catedral por sua vez foi um marco
que identificou a separação do mundo espiritual
na religião, do mundo material no pensar lógico
e racional. O trapézio estabelece o limiar para o pensar
vivo, para a consciência do ente individual, a consciência
do eu. Aplicado como planta-baixa para uma forma de espaço,
o trapézio pode ser considerado um marco na consagração
do auto-conhecimento, respeitando a liberdade da individualidade
em questão. Esta é a função genuína
da Arquitetura Antroposófica: proporcionar e incrementar
à alma humana, que se encontra no auge da fase materialista,
um novo despertar no mundo espiritual.
Michael Emil Mösch
Botucatu, 18 de abril de 2.002
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